Hoje é dia de Racha?

Futebol deve ser jogado e preservado por todos

Por Ronaldo Carvalho 

A prática do futebol de rua é uma das culturas mais populares do Brasil, porém, essa atividade vem perdendo adeptos ao longo dos anos e isso é preocupante

Na minha cidade racha é o mesmo que pelada, baba ou qualquer outro substantivo que denomine uma união de pessoas que se organizam em grupos com uma bola de futebol (não necessariamente apropriada para a pratica do esporte) para jogar até cansar.

Não sei bem, nem tenho dados estatísticos para mensurar a importância da pelada para os cinco títulos mundiais que o Brasil possui na sua galeria vitoriosa de conquistas, porém sei bem que depois do crescimento desordenado das cidades, o nível dos nossos jogadores está sendo contestado.

Antes, meninos jogavam em campinhos, depois em asfaltos, quadras para que um olheiro visse o talento da criança com a redonda.

Atualmente, crianças são levadas à clubes com a promessa de: muito dinheiro e fama. Detalhe, este é um mundo muito restrito a pouquíssimos jogadores.

A grande maioria ganha salário mínimo e não possui qualquer proteção previdenciária.

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Tô exagerando? No mês passado, jogadores do Icasa, time do meu estado, o Ceará, dormiram no chão pois não havia hospedagem após a mudança de horário no voo da equipe que iria de São Paulo ao Maranhão.

Vejo crianças não saberem o que é uma bola. Pasmem.Porém, sabem desde os primeiros segundos de vida usar uma tela touch de seu mais novo dispositivo móvel.

A cultura mundial hi-tech está matando o nascimento de novos talentos no futebol.

Primeiramente a criança não sabe o que é uma bola,o que em si já é de dar uma dor no coração, depois não sabe praticar um esporte coletivo e por fim prefere ficar de frente a um computador ou algum gadget pessoal.

Pode parecer um pouco apocalíptico, mas nada substitui uma partida de futebol (racha) no campinho e nem precisa ser com seus amigos, pois ali aprendíamos sobre nossos limites, sobre companheirismo, saber ganhar e principalmente perder, ser escolhido e ser rejeitado e, finalmente, sobre a genuína competitividade e meritocracia.

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