A expulsão mais surreal em Copas do Mundo

Uma falta de comunicação entre jogador e árbitro que mudou a sorte da Argentina na Copa do Mundo de 1966 e as regras do futebol para sempre.

Rattín foi protagonistas de um dos lances mais inusitados e estranhos na história de Copas do Mundo. Foi durante o confronto das quartas-de-final da Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra.

 

Rattín com a camisa do Boca Juniors
Rattín com a camisa do Boca Juniors

 

Antonio Rattin foi um meia clássico argentino que do alto de seus 1,90m enxergava o jogo como poucos. Era o enganche ideal pra qualquer time. O argentino só vestiu duas camisas no futebol: Boca Juniors e Seleção Argentina. No clube xeneize atuou por quatorze anos, com a camisa albiceleste outros quatro.

Os argentinos chegaram para o confronto de uma vaga nas semi-finais contra os donos da casa. Segundo relatos dos jogadores que estiveram em campo, as arquibancadas foram totalmente tomadas pelos ingleses. Para onde quer que se olhasse não se via algum sinal de um torcedor argentino.

A preocupação dos atletas argentinos começou antes mesmo do apito inicial. Durante o sorteio dos árbitros para aquela partida ficou claro que tinha algo de errado.

A nomeação dos árbitros para a partida seria feita na cidade de Birmingham, porém, quando os representantes argentinos chegaram ao local o sorteio já tinha ocorrido e o nome do alemão  Rudolf Kreitlein já estava designado para comandar o jogo.

O fato surpreendeu e revoltou os argentinos. Eles não queriam que um árbitro alemão apitasse um jogo da seleção inglesa, a dificuldade no idioma era um dos temores dos portenhos. Contudo, já não podiam fazer mais nada e Rudolf foi apitar a partida.

Momento exato da expulsão de Rattín
Momento exato da expulsão de Rattín

Situação inusitada

O alemão Kreitlein era conhecido por ser enérgico demais e aplicar sucessivos cartões, as vezes de forma desordenada. A partida seguia empatada em zero a zero e o jogo era cheio de jogadas ríspidas, até que o juiz tirou Rattín de campo.

Na versão do comandante da partida, o argentino teria sido expulso por indisciplina e pela expressão do rosto de Rattín, o que causou estranheza foi o fato do germânico não entender espanhol.

Rattín alega que apenas pediu um interprete e que tudo não passava de um mal entendido. O árbitro não voltou atrás e o meia argentino teve mesmo que sair de campo.

Irritado com a situação o argentino demorou cerca de dez minutos até sair de campo, na saída fez gestos provocando a torcida inglesa, e chegou a amassar a bandeira do Reino Unido, que ficava no mastro do escanteio.

A partida continuou, e sem El Flaco em campo a Inglaterra conseguiu o gol da vitória que o levou as semi-finais e posteriormente ao título de campeão mundial naquela oportunidade.

Após esse episódio, a FIFA autorizou os árbitros a utilizarem cartões amarelos e vermelhos em todas as partidas oficiais.

 

 

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