Opinião: Agora, falando de Flamengo

Évio Gianni

O jogo de sábado foi trágico e injustificável. O Flamengo não pode aceitar ser desclassificado pelo Vasco, mesmo com empate.

O Flamengo não pode sair para o Vasco. Simplesmente não interessa qualquer outra reflexão. Ainda mais quando se vai a campo com o time titular, com melhor elenco, com melhor retrospecto no campeonato e estando invicto. A situação piora quando o adversário não conseguiu ganhar um único clássico até então.

Dito isto, e entendo que o elenco pode oferecer mais do que entrega temos que falar sobre o Zé Ricardo. O vi na Copinha, onde acabou sagrando-se campeão e ficou claro como ele tem o hábito de complicar o jogo, como ele tem medo e apela para a retranca.

Ele pensa bem o futebol, é estudioso e tenta ser criativo, mas tem dois problemas graves. Um deles é a falta de coragem, que vem sendo superada progressivamente, reconheço.

O treinador aparenta montar uma coisa na cabeça e essa imagem de time é mais forte do que ele vê em campo. Ou seja, ele imagina uma coisa, até com lógica, mas se demonstra incapaz de contrapor essa imagem com rapidez de acordo com o que acontece na realidade das quatro linhas. ‘Zé’ lê mal o jogo durante a partida e consequentemente substitui mal.

O tipo de invenção mais comum dele é a troca constante de lado dos jogadores. O jogador vem atuando pela direita por anos e ele imagina como ele vai adaptar-se bem à esquerda e o mantém lá, disputando posição num setor que não tem familiaridade.

 

O que mudou?

Ano passado o Zé Ricardo começou com alguma organização, o time melhorou e rendeu bem, mas com ressalvas. A covardia notória do Zé atrapalhou sensivelmente seu desempenho no início de trabalho no Flamengo. Não o queria e critiquei bastante. Mas ele melhorou e conseguiu fazer o time ficar organizado.

Com a chegada do Diego ele engrenou uma boa sequencia e foi parado pelo cansaço do elenco com as viagens e pelo conhecimento dos adversários da forma de jogar do time, que vamos acordar, tem pouca variação.

A proposta de 4-3-3 com dois pontas enfiados funcionou razoavelmente, mas esbarrou, no entendimento do Clube, pelo que vi, na falta de jogadores adaptados as pontas. Em 2017 ele começou o ano de maneira quase brilhante, recuando os pontas no mesmo 4-3-3 aproximando-os da meia e com peças de reposição.

Muitos jogos mostraram um Flamengo compactado, atacando e defendendo em bloco. Nesse momento eu pensei que o clube teria um ano avassalador, mas o conhecimento dos adversários conjuntamente com a dificuldade de adaptação do Zé destruiu o rendimento do time.

E é necessário falar especificamente desses dois jogadores: Vaz e Márcio Araújo. O zagueiro é rápido e tem técnica, mas se acha melhor do que é e gosta de “ousar”, com o apoio do técnico. Seu lugar é o banco, onde dará ótimas contribuições entrando esporadicamente. O volante é um jogador razoável, e só. Ele sabe disso, pois joga seguro e não inventa.

 

O treinador rubro-negro às vezes parece não saber como resolveu os problemas da equipe

 

Opções do Zé

As opções de mercado são poucas, mas agudas. Particularmente eu considero que a melhor opção seria o Dorival Jr. Cuca não me agrada, mas é possível. Luxas, Batistas, Muricys, Francos, Oliveiras Roths, Kleinas dentre vários, não me parecem opção.

Contudo, a necessidade de mudança no comando técnico deságua em outro problema. Talvez mais grave. A fragilidade de planejamento do Flamengo no tocante a formação do elenco.

Apesar de o esquema estar definido desde o começo do ano de 2016, temos hoje excesso de estrangeiros e um time claramente desequilibrado nas posições. Trouxemos um medalhão (Damião) que atrapalhou o desenvolvimento de uma prata da casa de forma notória (Vizeu). Trouxemos vários 2º volantes (Arão, Cuellar, Mancuello, Rômulo, Márcio Araújo) e nenhum 1º volante de origem.

Alguns inclusive contratados para jogar no lugar errado (Mancuello). Trouxemos pontas em excesso pela direita (Cirino, Gabriel, Berrío, Mancuello – improvisado -, Adryan) e Thiago Santos. Pela esquerda temos apenas improvisações dos pontas da direita, um especialista (Everton), Ederson (taça de cristal que joga nas duas) e uma possibilidade (Conca quando conseguir jogar).

Por fim, essa incompetência da gerência me leva a crer que, ou não conseguirão ver que o time do Zé retrocedeu e hoje não tem produz nada, ou não conseguirão ver que o elenco é forte, mas desequilibrado, ou vão procurar um técnico em oferta, uma “aposta” ou vão fazer todas essas merdas juntas.

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