Cruzeiro x Flamengo: o dia em que vi um fenômeno nascer

Ainda Ronaldinho, o franzinho atacante destruia com a camisa celeste

Antes de virar ‘R9’ e uma referência mundial, o craque jogou duas temporadas pelo Cruzeiro

Era um sábado ou domingo, não lembro bem. Eu e meu pai, um rubro-negro daqueles que não admite sequer um elogio vindo de um filho ao seu time rival, assistíamos a mais uma partida do campeonato brasileiro de 1993.

Era um Cruzeiro e Flamengo, no velho mineirão, bem diferente do atual.

Meu pai nem tinha raiva da raposa, era o galo a quem ele sempre xingava. Entretanto, isso não significa que ele morresse de amores pelo rival daquela tarde.

Analisou o time adversário do goleiro ao ponta esquerda, sim, nós ainda tínhamos ponta esquerda em nosso futebol no início da década de 1990.

Foi então que veio o comentário que não sai da minha cabeça até hoje.

“Esse dentuço é perigoso, se vacilar ele marca. Não tem muito corpo, mas sabe se livrar da marcação. O dentuço é perigoso”

Eu tinha apenas 10 anos e já acompanhava todos os jogos de futebol nos quais podia assistir. Conhecia todos os estádios, jogadores, uniformes, enfim, sabia “quem era quem”.

Eu já conhecia o tal dentuço, sabia do seu potencial, já o acompanhava naquele campeonato.

Ronaldinho sofrendo a marcação implacável de Rogério

Bobeou, tomou

O jogo começou e o atacante tinha pela frente uma zaga firme. Rogério, um zagueiro seguro e com boa técnica e Júnior Baiano, aquele mesmo que não alisava nem sua própria sombra.

Ronaldo ainda era Ronaldinho, mas já cultivava a frieza frente aos goleiros. No primeiro vacilo da dupla o tal dentuço não perdoou e, como diria Jorge Ben“só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol”. 

O atacante continuou infernizando a zaga carioca, ainda deu uma assistência para mais um gol cruzeirense, mas o juiz anulou a jogada.

O tal dentuço levou vantagem sobre a dupla defensiva do Mengão em outras jogadas ao longo da partida, porém, não saiu vitorioso de campo.

Os cariocas viraram o placar e venceram a partida com um gol de Marcelinho Carioca, outro gigante que já despontava no futebol brasileiro.

Apesar da derrota o fenômeno já estava em produção.

Após aquela temporada o atacante foi negociado com o PSV Eindhoven da Holanda e o resto da história todos nós conhecemos bem.

O franzino centroavante ganhou mais corpo, ganhou mais marra, mais fama, ganhou o mundo.

Entretanto, em 1993 já dava para perceber que ele assim o faria.

 

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