1989: O Brasil e Chile que não acabou

A partida valia pelas eliminatórias para a Copa da Itália em 1990

O Chile abandonou o campo antes do apito final; A confusão gerou uma punição pesada a seleção chilena e ao goleiro Rojas

O dia 3 de setembro de 1989 ficou marcado para sempre na história do futebol mundial. Brasil e Chile decidiam no Maracanã a vaga para a Copa da Itália em 1990. As duas seleções lideravam, com 5 pontos, o grupo 3 das eliminatórias sul-americanas.

O Brasil jogava por um empate para ir ao mundial, ao Chile só interessava a vitória.

As seleções subiram a campo e viram 141.072 pessoas abarrotarem as arquibancadas do maior palco do futebol no mundo.

A atmosfera criada pelo público dava o real sentido daquela partida. Os brasileiros,que jamais haviam ficado de fora de uma Copa do Mundo, tinham um time melhor. Os chilenos não disputavam o maior torneio de seleções desde 1982, e nunca estiveram tão perto de voltar a competição.

O jogo

Semanas antes da decisão no Maracanã, as duas seleções já haviam se enfrentado em Santiago. O jogo terminou empatado em 1 a 1, mas foi marcado por muita tensão, catimba e confusão durante os 90 minutos.

Lazaroni armou o time brasileiro num 3-5-2 que dominava os campos europeus. Aldair, Mauro Galvão e Ricardo Gomes faziam a trinca de defesa.

Branco e Jorginho deixaram de ser laterais e passaram a atuar como alas bastante ofensivos. Silas, Valdo, Bebeto e Careca era quarteto que comandava as ações ofensivas da equipe. Dunga e Taffarel fechavam a seleção canarinho.

Romário fazia parte do grupo, mas não pode atuar, pois havia sido expulso na partida de ida na capital chilena.

Roberto Rojas, já vinha se destacando pela seleção. No primeiro confronto entre as seleções o arqueiro segurou o ataque brasileiro. Na partida de volta não foi diferente. Rojas fez defesas importantes na primeira etapa e garantiu o 0 a 0 no placar durante os primeiros 45 minutos.

Careca marcou para o Brasil contra os chilenos

No início do segundo tempo, Bebeto tocou para Careca, que dominou a bola e marcou o gol brasileiro logo aos 4 minutos.

Com vantagem no placar o time de Lazaroni ficou mais tranquilo em campo, o Chile não conseguia chegar ao gol de Taffarel.

O sinalizador

Aos 24 minutos aconteceu o inusitado: a torcedora Rosenery Mello, atirou da arquibancada, um sinalizador, que caiu perto do gol defendido por Roberto Rojas.

Na sequência das imagens mostram o goleiro no chão, com a camisa ensanguentada. Os jogadores chilenos cercam Rojas, o levam para o vestiário e não voltam para campo.

Jogadores carregam Rojas ao vestiário

A tática chilena era a de forçar uma punição a equipe brasileira, para que com isso o Chile fosse beneficiado com a vaga a Copa do Mundo de 1990.

Não deu certo. A FIFA analisou as imagens e viu que Rojas não havia sido atingido pelo projétil, mas que tinha usado uma lâmina para se cortar.

Com a descoberta da verdade os chilenos ficaram de fora do mundial de 1990 e foram impedidos de disputar as eliminatórias para a Copa de 1994.

Rojas foi banido do futebol pela Fifa, porém, posteriormente, o goleiro foi anistiado e chegou a trabalhar como treinador no Brasil.

Rojas foi preparador de goleiros no São Paulo

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