#49: A Copa de Pelé e o primeiro dos cinco títulos

O Brasil comemorou pela primeira vez uma conquista mundial

A Copa do Mundo de 1958 foi a sexta edição da competição, O evento foi sediado na Suécia.

Dezesseis seleções nacionais foram qualificadas para participar desta edição do campeonato, sendo 12 delas europeias (Suécia, Alemanha Ocidental, Áustria, França, Tchecoslováquia, Hungria, União Soviética, Iugoslávia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales) e 4 americanas (Argentina, Brasil, México e Paraguai).

A Inglaterra era uma das favoritas para conquistar a Copa do Mundo de 1958, mas um desastre aéreo diminuiu o sonho dos ingleses.

Em 8 de fevereiro daquele ano, quatro meses antes do início do torneio, um acidente vitimou 23 pessoas, sendo oito jogadores do Manchester United, dois deles (Tommy Taylor e Duncan Edwards) titulares absolutos da seleção inglesa.

Os Diabos Vermelhos voltavam de um jogo em Belgrado, Iugoslávia, contra o Estrela Vermelha pela Taça dos Campeões – atual UEFA Champions League. O avião que trazia a delegação fez escala em Munique, na Alemanha. De lá, já havia tentado levantar voo em duas oportunidades, mas não conseguiu devido à neve que caiu na pista. Na terceira tentativa, a aeronave se chocou contra uma casa desabitada.

O avião levava ao todo 44 pessoas. Além dos jogadores, jornalistas e membros do staff do United faleceram no acidente. Entre os sobreviventes, estava Bobby Charlton, reserva da Inglaterra em 1958, e campeão da Copa do Mundo de 1966.

A aparição do Rei quase não acontecia

Pelé, aos 17 anos, foi o jogador mais novo a vencer uma Copa. Contundido pouco antes da Copa e com dores no joelho, pediu diversas vezes para ser mandado embora para o Brasil.

Antes da competição, o jovem não era titular na cabeça do técnico Vicente Feola, pois sua situação física não era das melhores. Tanto que Pelé ficou de fora das duas primeiras partidas da seleção no torneio.

Pelé e Garrincha foram lançados no time com mistério, tática de Feola. Após isso, o camisa 10 marcou seis gols sendo o jogador mais jovem a marcar em um Mundial.

Os dirigentes do Brasil esqueceram de mandar para a Fifa a numeração dos jogadores para a disputa da competição. A entidade, então, precisou definir a numeração dos brasileiros. Por obra do acaso, o reserva Pelé recebeu a camisa 10 e eternizou o número logo em seguida.

Caminhada para o título

Foi a Copa em que o Brasil mostrou ao mundo o garoto de 17 anos que se tornou o maior jogador de todos os tempos. Foi a Copa em que o Brasil mostrou ao mundo um gênio de pernas tortas cujos dribles eram impossíveis de conter.

Após uma vitória por 3 a 0 na estreia, com dois gols de Mazola e outros de Nilton Santos, o Brasil empatou em 0 a 0 com a Inglaterra, sendo a primeira partida sem gols da história das Copas. Após o término da partida, os jogadores ficaram sem saber o que fazer em campo. Alguns acharam que o árbitro iria levar o jogo para a prorrogação.

Só na terceira partida que Garrincha e Pelé foram titulares. Os dois eram reservas de Joel e Dida. Dali em diante, mudaram o rumo da Copa e do futebol. A vitória por 2 a 0 frente a União Soviética com dois tentos de Vavá decretaram a liderança do grupo.

Nas quartas de final, o selecionado canarinho bateu o País de Gales por 1 a 0, com  gol de Pelé. Na semi, Vavá e Didi até fizeram os dois primeiros, mas foi o garoto que roubou a cena. O futuro Rei marcou três goleou e despachou a França com um sonoro 5 a 2.

Na final, o duelo era contra os donos da casa. De azul, pela primeira vez na história, o Brasil saiu atrás do marcador. Liedholm, aos quatro minutos. Ainda na primeira etapa o Brasil virou: Mané na linha de fundo, centro para Vavá. Duas vezes, aos 9 e 32. No segundo tempo, Pelé fez 3 a 1 com direto a chapéu no marcador, talvez o gol mais bonito de todas as copas, aos 10. Zagallo aumentou aos 23. A Suécia diminuiu com Simonsson, aos 35.

O novo Rei do Futebol fechou o Mundial com o quinto gol aos 45, e a Seleção finalmente conquistava o mundo pela primeira vez.

Gesto eternizado

O capitão Bellini foi o primeiro a erguer a taça com as duas mãos, acima da cabeça, para comemorar o título. O gesto atendeu a um pedido dos fotógrafos, que não conseguiam registrar devido à aglomeração de jornalistas, e é repetido até hoje.

Bellini eternizou o gesto [Foto: Gazeta]
Faltam 49 dias para a Copa do Mundo da Rússia.

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