#44: Josimar, o lateral que brilhou na Copa de 86 ‘por acaso’

Josimar não estava na lista inicial de Telê Santana para a Copa do Mundo no México em 1986. Mas, foi convocado e terminou como um dos destaques da seleção naquela edição.

A Copa do Mundo é um torneio que geralmente “revela” jogadores para o mundo do futebol. Por ser um campeonato de curta duração, aqueles que forem bem no mês em que acontece a competição, ganham um destaque maior em sua carreira e serão lembrados por um longo tempo.

A história da seleção brasileira é rica em personagens com esse perfil. Amarildo substituiu Pelé em 1962 e trouxe o bicampeonato. Jairizinho foi o furacão da Copa em 1970, Romário brilhou em 1994, assim como Kleberson em 2002.

Em 1986, a seleção brasileira não conquistou a Copa do Mundo. Caiu ainda nas quartas-de-final  na disputa de pênaltis para a França de Platini. Era um time que carregava a frustante eliminação de 82 nas costas. Zico e Sócrates ainda estavam no elenco, assim como o técnico Telê Santana.

O treinador brasileiro havia convocado os jogadores um mês antes do torneio e os levou para Belo Horizonte. Começava ali uma preparação forte para aquela que seria a última competição de Telê afrente da seleção.

Entre os convocados estavam Leandro, lateral/zagueiro do Flamengo e outro remanescente de 1982, e Renato Gaúcho, um jovem e bom atacante que já havia participado de toda a campanha nas eliminatórias para a Copa com a seleção e que à época jogava com Leandro no clube carioca.

Leandro pediu dispensa da seleção após um episódio de fuga da concentração, onde apenas Renato Gaúcho forá cortado pelo treinador. Leandro estava com Renato, mas não foi cortado, porém foi solidário ao amigo e saiu do grupo.

Telê aceitou a dispensa do jogador rubro-negro e chamou Josimar para o lugar do lateral do Flamengo e, assim, o lateral que atuava no Botafogo, estava entre os 22 jogadores que foram defender o Brasil no México.

Josimar na Copa

O lateral não chegou para ser o titular naquela edição. Edson Boaro, lateral do Corinthians, havia assumido a titularidade com a saída de Leandro.

Edson foi titular nos dois primeiros jogos daquela Copa: vitórias contra Espanha e Argélia, ambas por 1 a 0. No segundo jogo, Edson sentiu uma contusão e Junior, outro do grupo de 82, quebrou o galho na direita até o fim da partida.

Naquela época, apenas cinco jogadores podiam ficar no banco de reservas no Mundial e Josimar não estava entre eles, ao contrário de hoje onde todos os convocados ficam à disposição.

A grande chance de Josimar veio no último jogo da primeira fase, contra a Irlanda do Norte. O Brasil já estava praticamente classificado, precisava apenas garantir a primeira colocação do grupo. O time controlava o jogo e já vencia por 2 a 0 antes do intervalo.

Josimar jogava bem, até que as 42 do segundo tempo o lateral apareceu de vez na partida. Recebeu na intermediária e acertou um chutaço. A vitória estava sacramentada e a classificação garantida.

O adversário nas oitavas-de-final era a Polônia. O Brasil novamente jogou bem, marcou o primeiro com Sócrates e controlava a partida.

Aos 10 do segundo tempo Josimar entrou de vez para a história da seleção. O lateral marcou um dos gols mais bonitos das edições do torneio. O iluminado Josimar recebeu uma boa bola pela direita, partiu pra cima da marcação, driblou dois adversários e acertou outro chutaço, quase sem ângulo.

O Brasil venceu por 4 a 0 e Josimar, de reserva do reserva, havia se tornado uma das peças principais do time.

O Brasil acabará fora da competição no jogo seguinte. A frustante eliminação para a França, nas quartas-de-final, pôs fim a era Telê na seleção e levou consigo Zico, Sócrate e Júnior. Mas deixou a lembrança de Josimar entre os brasileiros. Um lateral de muita força e raça, algo que vimos depois na própria seleção com Cafu, descoberto por Telê no São Paulo, e Maicon.

Final da carreira

Após a Copa de 86 o lateral voltou ao Botafogo, onde ficou até 1989, quando conquistou o título estadual pelo clube, depois de um jejum de mais de 20 anos. Foi vendido para o Sevilla, acabou não teno muito sucesso pela Espanha e voltou ao Flamengo. Rodou ainda por Internacional, Novo Hamburgo (RS),Bangu, Uberlândia (MG), Fortaleza, Fast Club, Baré, futebol boliviano e venezuelano em todos os clubes sem mostrar o mesmo futebol daquela Copa.

Encerrou a carreira profissional dez anos após brilhar no México. Despediu-se do futebol no Mineros de Guayana, da Venezuela, em 1996.

Josimar tinha probelmas com álcool e drogas, chegou a ser apelidado de “Josibar” , uma ofensa que acabou prejudicando tanto seu futebol quando suas atitudes.

Pela Seleção, o lateral fez 16 jogos e apenas dois gols, os da Copa de 86 e foi campeão da Copa Stanley Rous em 1987. Fez parte do elenco que disputou as Eliminatórias para a Copa de 1990, mas ficou de fora da lista dos 22 convocados que foi à Itália.

Faltam 44 dias para a Copa do Mundo na Rússia em 2018.

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