#39: A geração húngara que não levou a Copa do Mundo

Comandados por Puskas, a Hungria foi vice em 1954

Recentemente, a Hungria voltou a disputar grandes competições após décadas de fora. A Seleção disputou a inchada Eurocopa de 201ç quando foi até as Oitavas de Final e caiu para a Bélgica.

Na história, os húngaros são conhecidos por terem um dos maiores jogadores da história ao seu lado, o lendário Ferenc Puskas. Em todas as Copas, alguma seleção chegou como grande favorita para levar o título antes mesmo do início da competição. Em 1954, a bola da vez era a Hungria, do atacante Ferenc Puskas, que jogava em um revolucionário esquema 4-2-4.

O Time de Ouro é uma das várias denominações usadas para descrever a lendária seleção húngara da década de 1950.

Um dos times mais técnicos da história, treinado por Gusztáv Sebes e com jogadores como Ferenc Puskás, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis, Nándor Hidegkuti, József Bozsik e Gyula Grosics, o time foi imbatível por incríveis 32 jogos consecutivos.

A Hungria entrou na Copa do Mundo de 1954 com a confiança e a invencibilidade desde 1950.

Na primeira fase, a equipe comandada pelo técnico Gusztáv Sebes mostrou a que veio e enfiou um 9 a 0 em cima da Coreia do Sul logo na estreia. No jogo seguinte, a mesma coisa: 8 a 3 contra a Alemanha Ocidental e vaga assegurada para o mata-mata.

Na quarta-de-final a Hungria venceu o Brasil por 4 a 2, num jogo violento que ficou conhecido como A Batalha de Berna. A partida foi violenta do início ao fim. Uma chuva torrencial atrapalhou a qualidade dos jogadores. Após o término da partida a pancadaria começou. Todos os 22 jogadores se envolveram na briga.

 “A confusão aconteceu por conta de um mal entendido. As entradas pros dois vestiários ficavam uma do lado da outra. Os dois times estavam deixando o campo após o jogo e o Newton Paes, médico do Brasil, pegou uma garrafa de água. Naquele tempo era garrafa de vidro, não de plástico, como as de hoje. Aí ele pegou a garrafa e jogou no Puskas. Pegou na testa dele e, quando o Pinheiro se virou para ver quem havia arremessado, alguém gritou: “foi o Puskas!”. Aí começou a confusão.

Após eliminar o vice do Mundial passado, os húngaros bateram nos campões. Para a final, a vítima foi o Uruguai (foi a primeira derrota de uma seleção uruguaia em copas do mundo) na semifinal. O jogo empatou por 2 a 2 no tempo normal, indo para a prorrogação, onde Kocsis marcou duas vezes, selando outra vitória húngara por 4 a 2. A Alemanha Ocidental seria mais uma vez o adversário húngaro, desta vez na final.

Hungria favorita

O favoritismo dos húngaros contra a anfitriã Alemanha Ocidental era total. Mesmo com seu principal jogador atuando no sacrifício, a confiança era grande. Puskas ainda sentia a contusão causada, duas semanas antes, por um carrinho do alemão Werner Liebrich.

Outro fator que mudou tudo na decisão foi a chuva que perpetuou por todo o dia da final.

Apenas os alemães estavam preparados para jogar no campo encharcado da final, equipados com chuteiras com travas parafusadas que permitiam a seus jogadores se manterem em pé.

Puskás, apesar de colocar seu time à frente do marcador em apenas seis minutos de jogo, e com Czibor marcando o segundo gol dois minutos depois,os germânicos demonstraram a concentração, frieza e o espírito de luta característicos de suas seleções. Com dois gols antes do intervalo, de Max Morlock e Helmut Rahn, a Alemanha Ocidental iniciou a virada. Depois, Rahn marcou o gol do títulos dos alemães. Um gol de Puskas foi anulado por causa do impedimento assinalado pelo bandeirinha galês Mervyn Griffiths, numa decisão que até hoje causa controvérsia.

Restou à Hungria o vice-campeonato e o recorde ainda vivo de 27 gols em cinco jogos de um Mundial.

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