#37: Paolo Rossi, do cárcere a glória

Atacante se envolveu com a máfia do apito italiano e acabou detido e desfalcou a seleção italiana antes da Eurocopa de 1980

No início dos anos 1980, o futebol italiano foi marcado com o episódio da manipulações de resultados entre os clubes de futebol que ficou conhecido como Totonero.

Entre os envolvidos do escândalo estavam clubes como Milan e Lazio(que foram rebaixados para a Série B), Perugia, Bologna, Napoli e Avelino também foram culpados e punidos pela justiça italiana. Jogadores e até treinadores engrossaram a vasta e desonrosa lista.

Paolo Rossi estava entre os vinte atletas ligados ao Totonero e, assim como os clubes e demais envolvidos, acabou sendo punido e ficou afastado dos gramados.

O atacante deveria cumprir três anos de punição. O jogador não disputou a Eurocopa de 1980, disputada em seu país e que culminou com a anfitriã na quarta posição daquele ano.

Com a Copa do Mundo se aproximando, e com o desempenho da seleção na competição de europeia, o apelo popular pela liberação de Rossi aumentou. A Federação italiana, em um ato de leniência em vista da Copa do Mundo, ao final do ano de 1981, isentou Paolo de cumprir o ano restante.

Rossi celebra o título italiano em 1982

Paolo retornou aos gramados ainda em 1982 com a Juventus, e acabou sendo campeão italiano. Com o bom desempenho no calcio e livre para atuar, o técnico Enzo Bearzot não poderia desperdiçar a chance de contar com o bom atacante e o chamou para a Copa do Mundo na Espanha.

Ao contrário do clamor das ruas, a imprensa italiana não engrossava o coro pela presença de jogador. Os jornalistas temiam pela forma física do atacante e diziam que ele não aguentaria o ritmo das partidas no mundial.

Rossi, assim como a seleção, foi sofrível na primeira fase. Três empates contra: Polônia(0x0), Peru(1×1) e Camarões(1×1), marcaram o início da campanha da azzurra. A classificação veio pelo número de gols marcados.

Segunda fase e o atacante começa a brilhar

Com a suada classificação, a Itália se juntava a Argentina e Brasil no grupo 3 da fase seguinte. O regulamento era simples: todos se enfrentavam dentro do grupo e apenas o líder da chave avançaria.

No primeiro jogo do grupo, a Itália mostrou mais qualidade e venceu os hermanos por 2 a 1. No jogo seguinte o Brasil despachou os rivais sul-americanos com um marcante 3 a 1 e chegava para o confronto contra os italianos com a vantagem do empate.

A seleção que encantava o mundo era a favorita ao título, mas bobeou frente aos frios e calculistas italianos. Rossi marcou três vezes e devastou o país do futebol. Os brasileiros voltavam para casa e a desacreditada Itália chegava as semifinais.

A surpreendente Polônia era a adversária antes da final. Porém, a Itália já estava embalada e Rossi novamente brilhou, marcou dois gols e garantiu a passagem dos italianos aquela que seria sua quarta final em Copas.

A tradicional rival Alemanha era a próxima adversária da Itália. Rossi outra vez brilhou. Abriu o placar da final e garantiu o início da vitória por 3 a 1 dos italianos e o tricampeonato mundial de seleções.

Os críticos a convocação do atacante se renderam ao final da competição. Paolo, além do título, conquistou três prêmios individuais: artilheiro da competição(6 gols), Chuteira e Bola de Ouro.

Rossi até hoje é lembrado, pelos brasileiros e por boa parte dos amantes do futebol arte, como o responsável pelo fim de uma geração dourada. Os italianos o idolatram como um redentor da bola. O certo é que o atleta entrou para a história das Copas, ‘pelo bem e pelo mal’.

Faltam 37 dias para a Copa do Mundo na Rússia.

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