#34:Conheça mais sobre a lendária “Laranja Mecânica” que encantou o mundo na Copa de 74

Liderada por Cruyff e companhia, a Holanda, infelizmente, foi vicecampeã daquela edição após perder para a Alemanha Ocidental por 2 a 1.

De muitas Copas do Mundo que já se passaram, poucas seleções foram lembradas por jogarem bonito, mesmo não ganhando o título.

Alguns exemplos são O Brasil de 50, 78, 82, 94 e 2006; A Argentina de 94; e a Dinamarca de 86. Mas uma das que mais emocionou os fãs de futebol foi a Holanda de 1974, tendo como destaque todo o elenco. E pra matar a saudade dos leitores, relembre a trajetória da lendária “Laranja Mecânica” que encantou o mundo na Copa de 1974.

O CARROSSEL HOLANDÊS

Com grande revolução mundial, a Holanda encantou o planeta de uma forma diferente, com uma nova maneira de jogar. Dirigida pelo técnico Rinus Michels, a seleção holandesa tinha como principais características a marcação no campo do adversário (pressing) e a tática ofensiva.

O primeiro jogo e a formação holandesa

O Mundial entre seleções, pelo sorteio da FIFA, acabou sendo na antiga Alemanha Ocidental. A Holanda, no sorteio, ficou no Grupo 3.

A equipe liderada por Cruyff ficara junto com Uruguai, Suécia e Bulgária. Teoricamente, os holandeses eram os mais favoritos no grupo, pela tradição de ter uma equipe forte e cheio de estrelas. Na primeira rodada, contra o Uruguai, um placar de 2 a 0 garantiu os primeiros três pontos para os Países Baixos. O atacante Rep havia marcado os dois gols da partida.

O mais interessante naquele jogo era a análise tática que os holandeses fizeram contra os adversários. Era o famoso “pressing”, deixando o Uruguai sem pegar direito na bola.

O esquema era diferente daqueles que vemos nos dias de hoje. Contra os celestes, usou-se o 4-3-1-2, variando no 3-4-3 e depois 4-3-3. A formação diferenciava, de acordo com quem estava com a bola.Veja o vídeo para lhe explicar melhor.

Existem mais curiosidades sobre aquele elenco que jogava com camisas da cor laranja. Na parte defensiva, um grande dinamismo: Suurbier, Arie Haan, Wim Rijsbergen e Rud Krol reversavam na parte defensiva em alguns minutos do jogo. Novamente, vale ressaltar que aqueles jogadores trocavam de posíções de acordo com a necessidade e com as oportunidades criadas.

No meio-campo, a Holanda tinha ainda mais força e improviso. Com dinamismo e com base na posse de bola, todos os jogadores mostraram grande qualidade. Neeskens e Jansen eram volantes marcadores, contudo, naquele esquema, não tinha posição totalmente definida.

Via-se que, em grande parte, eles faziam o famoso “box-to-box”, indo e voltando para ajudar a defesa e o ataque.

Não podemos esquecer o belo desempenho do craque Johan Cruyff, que foi o armador naquele jogo contra os uruguaios, tanto no lado quando pelo centro do campo. Cruyff impressionava, e era notório ver que naquela partida, ele transitava por todo o meio-campo e ataque.

Por fim, o ataque, com Rep e Rensenbrink, abertos pelos lados. Com apoio dos alas, os atacantes eram ainda mais perigosos no setor ofensivo daquele time de Michels. A Holanda venceu o jogo, e deixou muitos torcedores surpresos pelo seu ritmo e futebol em campo.

Já contra a Suécia, o Carrossel Holandês acabou empatando pelo placar de 0 a 0. Mas isso não desmotivou a seleção favorita daquele grupo. Na última partida, um 4 a 1 para cima da Bulgária deixava evidente que aquela seleção queria conquistar o primeiro título da sua história.

A surpreendente segunda fase

Passando para a segunda fase, antes de ir para a grande final, a Laranja Mecânica acabou ficando em um grupo bastante complicado. Naquela segunda fase, apenas uma seleção se classificava para a última partida do torneio. Em um grupo que tinha Brasil, Argentina e Alemanha Oriental, os holandeses, mais uma vez, obtiveram sucesso. O primeiro jogo, contra a Argentina, mais uma vez deixou claro que Cruyff, Rensenbrink, Rep e companhia não estavam ali à passeio.

O placar foi, e muito, a favor para os europeus. Um 4 a 0 logo de cara mostrava o favoritismo daquela seleção no grupo. Relembre os quatro gols do Carrossel Holandês sobre os hermanos.

Na segunda rodada, contra os alemães orientais, mais uma brilhante partida. O placar de 2 a 0 foi bastante favorável para dar confiança aos holandeses. Com gols de Neeskens e Rensenbrink, a Holanda venceu a Alemanha Oriental por 2 a 0, e assim, garantiria mais três pontos naquela segunda fase.

Contudo, o Brasil, nos dois jogos, também ganhara e almejava a classificação. Restava, agora, a disputa para quem ficaria com a vaga para a final. Brasileiros e holandeses disputaram no estádio de Dortmund o jogo decisivo daquele grupo. A seleção brasileira também não passava por despercebida. Na escalação dos sulamericanos, havia muitas estrelas, do gol ao ataque.

FICHA TÉCNICA – BRASIL 0X2 HOLANDA

Brasil: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo César Carpegiani, Rivelino e Paulo César Caju (Mirandinha); Valdomiro, Jairzinho e Dirceu.
Técnico: 
Zagallo.

Holanda: Jan Jongbloed; Wim Suurbier, Arie Hann, Wim Rijsbergen e Ruud Krol; Wim Jansen, Johan Neeskens (Rinus Israel) e Wim Van Hanegem; Johnny Rep, Rob Rensenbrink (Theo De Jong) e Johan Cruyff.
Técnico: Rinus Michels.

A Holanda venceu o Brasil por 2 a 0, com gols de Neeskens (aos 5 min do primeiro tempo) e Cruyff (aos 20 minutos do segundo). Com público de 53.700 pagantes, a Holanda eliminou o Brasil e foi á final contra a Alemanha Ocidental, anfitriã da “festa”.

A Alemanha Ocidental, naquele torneio, também mostrou ter qualidade em todo o torneio. No grupo A, os alemães ocidentais tinham como adversário a Alemanha Oriental, Chile e Austrália. Nos três jogos, duas vitórias, com quase 100% de aproveitamento. Na segunda fase, mais uma boa exibição.

A classificação para a final foi tranquila. Nenhuma derrota e a liderança, com seis pontos e, agora, 100% de aproveitamento.

O curioso foi que Alemanha Ocidental e Holanda, na primeira fase, terminaram com 5 pontos cada e um saldo de mais cinco gols.Entretanto, o campeão daquela edição foram os alemães, deixando os holandeses com o vicecampeonato.

Vale ressaltar que a Alemanha, naquela época, também demonstrava um bom futebol e era uma das favoritas ao título da Copa do Mundo. Com gols de Breitner e Müller, os alemães ganharam por 2 a 1, e assim, levantando a taça.

Aquela foi mais uma edição em que grandes seleções, favoritas ao título e com belo futebol, deixaram escapar o título, mas encantaram todo mundo, principalmente os fanáticos pelo esporte.

Faltam 34 dias para a Copa do Mundo.

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