#33: Gamarra, a excelência paraguaia que saiu ileso de uma Copa do Mundo

Gamarra terminou a Copa da França, em 1998, sem fazer nenhuma falta nos jogos em que disputou. Mas acabou eliminado nas oitavas-de-final

Dizem que um zagueiro precisa ser alto para impor respeito frente aos atacantes e manter seu território sempre protegido. Carlos Alberto Gamarra conseguia isso do ‘alto’ de seus 1,77m. A estatura, considerada baixa para um defensor, nunca foi uma limitação para o zagueiro paraguaio.

Gamarra sempre se destacou por sua técnica e garra em campo. Compensava a, pressuposta necessidade de uma estatura mais avantajada, com um senso de posicionamento invejável. Como uma águia que plana pelos ares até chegar ao seu alvo, os botes do xerife guarani em direção a retomada da pelota eram certeiros. Quem viu o zagueiro em ação se recorda de seus feitos em campo.

Gamarra era pura maestria e, por onde passou, deixou um legado e foi referência de bom futebol na posição.

Copa da França: a primeira e mais marcante na vida do defensor

Gamarra chegou a Copa da França com certa experiência. Aos 28 anos, o zagueiro já havia passado por Cerro Portenho(PAR), Independiente(ARG), Internacional(BRA), Benfica(POR) e defendia o Corinthians(BRA). O zagueiro compunha uma seleção que se destcava pelo poder defensivo que, além de Gamarra, era formada por Chilavert, Arce, Ayala, Sarabia e Campos. Eram cinco homens protegendo a meta de Chilavert.

(Foto: Ben Radford /Allsport)

O esquema era montado e dirigido por Paulo César Carpegiani, que já havia treinado Gamarra e Arce no Cerro Portenho, em 1991.

O forte esquema não impedia os avanços dos adversários, e talvez por isso Gamarra acaba tendo um destaque maior nas partidas. Sempre em que era exigido, o defensor conseguia manter a meta inabalável.

O sorteio para a Copa da França colocou os paraguaios em um grupo extremamente complicado. A Bulgária, 4ª colocada na Copa de 94, a Espanha, com Raul e Luis Enrique, e a Nigéria, com a base campeã olímpica em 1996, eram os adversários da primeira fase.

Quatro jogos e nenhuma falta  

Gamarra disputou quatro partidas em 1998 e em todas pegou adversários e atacantes com mais qualidade técnica que a sua. Stoichkov, Raul e Kanu não conseguiram vencer o ferrolho defensivo do Paraguai. Contra Bulgária e Espanha foram dois empates em zero a zero. O 3 a 1 diante dos africanos, classificou o time de Capergiani as oitavas-de-final. A França era o adversário da vez. Os paraguaios suportaram os avanços dos franceses durante os 90 minutos, mas o gol de ouro marcado por Blanc pôs fim ao sonho guarani de chegar as quartas-de-final.

Em todas as partidas Gamarra foi destaque da equipe. O zagueiro não era o capitão, tampouco o mais velho daquele time, mas suas atuações e principalmente, sua postura em campo, o crdenciavam como um líder inato do elenco.

O defensor saiu daquela copa sem cometer NENHUMA FALTA e, com um recorde que, só viria a ser batido pelo zagueiro brasileiro Lúcio na Copa da Alemanha em 2006.

Gamarra é o recordista de jogos pela seleção paraguaia com 110 partidas e marcou 12 gols ao longo de sua história pelo selecionado guarani.

Faltam 33 para a Copa da Rússia.

 

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