#26: Ademir de Menezes, o artilheiro esquecido da Copa de 50

O atacante pernambucano foi o goleador máximo da primeira competição no Brasil

O homem que poderia ter sido o primeiro herói do futebol brasileiro é hoje esquecido. A trajetória que levou o pernambucano Ademir Marques de Menezes, o Queixada, ao sucesso como grande artilheiro do Sport, Fluminense, Vasco e Seleção Brasileira nas décadas de 40 e 50 é algo raro na nação pentacampeã do mundo.

Em 1950, a única lembrança é do ‘Maracanazo’ e o título uruguaio em cima do Brasil, no Maracanã.

O ‘Queixada’, como era conhecido, foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Atacante rápido, dava arrancadas impressionantes, armava as jogadas e aparecia para concluir.

Ademir de Menezes foi o primeiro jogador a marcar um gol no estádio do Maracanã vestindo a camisa da seleção brasileira.

No jogo de estréia da Copa do Mundo de 1950, o Brasil goleou o México por 4 a 0. Um público de 86 mil pagantes viu o Queixada abrir o placar aos 32 minutos do primeiro tempo. Jair Rosa Pinto e Baltazar também marcaram e o próprio Ademir deu números finais à partida aos 36 do segundo tempo. Naquela fatídica copa, o atacante fez nove gols em seis partidas,

Com a camisa da seleção, o ponta-de-lança marcou 35 gols em 41 jogos, segundo dados do livro “Seleção Brasileira – 90 anos”, de Roberto Assaf e Antonio Napoleão. Ganhou o título Sul-americano (1949) e o Campeonato Pan-americano (1952).

Ademir de Menezes nasceu um Recife, a 8 de novembro de 1922 e faleceu no Rio de Janeiro, a 11 de maio de 1996. O ‘ponta’ começou a carreira no Sport-PE, como juvenil, em 1937, descoberto pelo técnico uruguaio Ricardo Diez. Em 1941, com apenas 19 anos, começou a ganhar fama ao conquistar o título do Campeonato Pernambucano de 1941. De quebra, foi artilheiro com 11 gols.

Ademir chegou a São Januário em 1942. Poucos treinos e muitos gols fizeram dele rapidamente um ídolo. O Cruzmaltino estava há oito anos sem vencer o maior torneio da época, mas com 12 gols marcados o Queixada mostrou que o tamanho de seu futebol era proporcional ao do seu maxilar.

Duas temporadas depois, trocou São Januário pela Laranjeiras, onde foi campeão carioca pelo Fluminense.No dia 29 de março, o Globo Esportivo divulgava os valores incríveis da negociação. Foram 35 mil cruzeiros pelo passe, 80 mil de luvas e mais 85 mil arrecadados por sócios mais abastados do Tricolor.

Foram 24 gols anotados, inclusive o que valeu o título, em jogo contra o Botafogo. O amor pela Cruz de Malta o traria de volta para São Januário em 1948. Naquele ano, foi parte importante do elenco que conquistou o Sul-Americano de clubes, título equivalente ao da Copa Libertadores da América atual. Ainda conquistaria também os estaduais de 1949, 1950 e 1952 com o Vasco.

Em 1957, Ademir retornou ao Sport Club do Recife, clube que o revelou, para encerrar sua carreira. Despediu-se do futebol vestindo a camisa do clube pelo o qual admitia torcer desde criança. Seu último jogo foi um amistoso entre Sport e Bahia, na Ilha do Retiro, a 10 de março daquele ano.

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