#16: A Guerra das Malvinas, a “Mão de Deus” e a rivalidade entre Argentina e Inglaterra

Com gol polêmico de Maradona, os argentinos se vingaram dos ingleses

Desde abril de 1982, a relação entre argentinos e ingleses parou de ser amena. Com a Guerra das Malvinas, as duas nações travam uma rivalidade até hoje.

Em eventos mundiais, principalmente no maior torneio de futebol, os ‘hooligans’ ingleses e os ‘barras’ argentinos protagonizam cenas nada amistosas nos países que sediam a competição.

A  guerra

A Guerra das Malvinas foi um conflito militar entre Argentina e Reino Unido, ocorrido entre 2 de abril e 14 de junho de 1982.

Para começar, as forças armadas da Argentina invadiram as Ilhas Malvinas (Ilhas Falklands para os britânicos). O arquipélago, embora pouco habitado, tem uma posição geográfica estratégica, principalmente para atuações econômicas vindas pelo transporte marítimo.

Os britânicos colonizaram e dominaram desde 1833. Em 1982, a Argentina alegou que as Ilhas Malvinas deveriam ser incorporadas ao território da Argentina, pois com a independência em 1822, teriam direito ao território que antes pertencia à Espanha.

A intenção da ditadura militar argentina era desviar o foco da profunda crise econômica que o país atravessava através do enaltecimento do sentimento de nacionalismo dos argentinos, que seriam aflorados pelo combate.

Com a morte de aproximadamente 650 argentinos, sendo alguns civis e a maioria jovens soldados mal preparados e mal equipados, que foram derrotado por um exército inglês muito superior, a ditadura perdeu fôlego e foi destituída do poder. Em 1983 a democracia era restabelecida no país com a eleição do presidente Raul Alfonsín.

O futebol

Em 1986, a seleção argentina vai ao México disputar o Mundial. Buscando se recuperar do fracasso da Copa de 1982, o selecionado era comandado por Diego Armando Maradona. Após os argentinos e ingleses chegarem com facilidade as quartas de final, o jogo que decidiria uma das vagas na semi gerou uma grande atenção.

Os argentinos haviam sido derrotados na guerra e queriam “dar o troco” em campo. “Dom Diego” foi quem mais incorporou este espírito. No momento do hino, literalmente, encarava os ingleses sem nenhum sorriso no rosto. O primeiro tempo foi truncado e a pancadaria corria solta no Azteca.

Após a igualdade no primeiro tempo, ‘D10S’ resolveu aparecer e transformar a partida de histórica a inesquecível. Foi quando aos seis minutos do segundo tempo, Maradona, com um sutil toque com a mão, sem que o juiz percebesse, desvia a bola para o fundo da meta inglesa. O gol irregular era uma forma de vingança para os argentinos. Para eles, era Deus fazendo justiça pela derrota na guerra. Este gol ficou mundialmente conhecido como “La Mano de Dios”.

Aos 10 min, “El Pibe” recebeu a bola no meio do gramado, deu um giro rápido e partiu em velocidade com a pelota colada ao seu pé canhoto. No caminho, o camisa 10 argentino foi deixando cinco marcadores de lado até chegar ao gol de Shilton. O arqueiro inglês foi driblado e Maradona correu para a glória ao tocar para o barbante vazio. Talvez, seja o gol mais bonito das copas.

No final, Lineker ainda descontou para a Inglaterra, mas já era tarde. Final: Argentina 2 x 1 Inglaterra.

Mesmo que o título mundial não tivesse vindo, essa geração estaria eternizada nos corações dos ‘hermanos‘. O choro de muitos jogadores, os narradores ensandecidos e a torcida comemorando como se fosse o segundo título mundial davam a tônica da importância da vitória em cima dos britânicos. As Malvinas estavam “vingadas”, ao menos no campo simbólico do futebol.

A Argentina venceria a Copa de 1986 sete dias depois, batendo os alemães por 3 a 2 na grande final.

 

 

ARGENTINA 2 X 1 INGLATERRA

Argentina: Pumpido; Cuciuffo, Brown, Ruggeri, Olarticoechea; Batista, Giusti, Enrique e Burruchaga (Tapia); Maradona e Valdano. Técnico: Carlos Bilardo.

Inglaterra: Shilton; Stevens, Butcher, Sanson, Reid (Waddle); Fenwick, Steven (Barnes) e Hoddle; Hodge, Lineker e Beardsley. Técnico: Bobby Robson.

Gols: Maradora, aos 6 min e 10 min, e Lineker, aos 36 min do 2º tempo

Data: 22 de junho de 1986

Motivo: Quartas de final da Copa do Mundo

Local: Estádio Azteca, Cidade do México (MEX)

Árbitro: Ali Bennaceur (TUN)

Público: 114.580 pessoas

Cartões amarelos: Fenwick (Inglaterra); Batista (Argentina)

Faltam 16 dias para a Copa da Rússia

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