#7: Walter Zenga e o recorde na Copa do Mundo de 1990

O goleiro italiano Walter Zenga é recordista de minutos sem sofrer gols

Muitos goleiros já passaram pelas edições de Copas do Mundo. Quem não se lembra de Banks, Emerson Leão, Lev Yashin, Buffon, Dida, Casillas, Higuita e tanto outros. Todos eles tentaram ser invictos e não tomar gol em suas edições, mas apenas um conseguiu um feito incrível.Goleiro da seleção da Itália na Copa de 90, Walter Zenga conseguiu bater um recorde incrível.

Zenga na seleção italiana

Pela azzurra, o ex-goleiro começou a ser convocado ainda no ano de 1986, logo no ano da Copa do México. Antes de falarmos de toda a sua história pela seleção, vale ressaltar que Zenga, quando começou a carreira pela Inter de Milão, fora inúmeras vezes emprestado a clubes inferiores para pegar “corpo”, pois na titularidade tinha Ivano Bordon, grande goleiro na squadra nerazzurri.

Anos se passaram e Zenga começou a escrever a sua história. Tanto é que aos poucos, ele estava sendo convocado pelo técnico Enzo Bearzot. Com cada temporada sendo extremamente importante na Inter de Milão, onde lá passou quase toda a sua carreira, o “homem-aranha”, como era chamado por muitos, precisava mostrar suas qualidades.

A Itália, em 1986, não havia vencido a Copa, mas Zenga conseguiu um lugarzinho entre os escolhidos do técnico. Agora, restava atuar bem mais vezes pela sua equipe para ser novamente convocado.

Copa de 90 e o recorde mundial

E através de um grande trabalho, Zenga acabou sendo chamado para disputar a Copa de 1990, na própria Itália. Ele tinha que honrar o nome de seu país, que parecia vim forte naquela edição. O primeiro jogo dos italianos – obviamente no grupo A- fora contra a Áustria. No estádio Olímpico de Roma, italianos e austríacos receberam um público de mais de 70 mil espectadores.

Os donos da casa venceram aquele jogo, graças ao único gol do atacante Schillaci, no segundo tempo. Diante do segundo adversário, Estados Unidos, mais uma vitória azzurra, também pelo mesmo placar de 1 a 0. A defesa italiana, além de ter Zenga no gol, tinha Baresi, Ferrara e Maldini compondo aquela parte. Muito boa, por sinal.

Os italianos, no último e terceiro jogo, enfrentaria a grande Tchecoslováquia, que também estava invicta no grupo. Aquele confronto era para definir quem ficaria com a liderança do grupo. Os anfitriões daquela Copa não quiserem ser vice e ganharam dos tchecos com gols de Schillaci e Roberto Baggio. Os 2 a 0 sobre o último adversário do grupo garantiu ainda mais poder dos italianos na competição e fortalecimento, também, no setor defensivo dos mesmos.

Nas oitavas de final, o Uruguai seria a seleção da vez. Os sulamericanos conseguiram o terceiro lugar e classificação, com três pontos, na fase seguinte da Copa. Enfrentariam os invictos da vez, a Itália. Foi um jogo bem difícil para os italianos, pois tiveram muitas chances, mas com méritos, conseguiram marcar dois gols preciosos que os classificaram para as quartas de final.

Nas quartas de final, a Itália havia vencido a Irlanda, por apenas 1 a 0. Schillaci, mais uma vez, estava sendo o destaque no setor ofensivo. Seus gols estavam sendo importantíssimos naquela Copa. Quanto a Zenga e sua defesa, ainda mais méritos, pois era evidente que a seleção italiana mostrava ser sólida naquela setor. Os marcadores não deixavam sequer a bola entrar, e no gol tinha Walter Zenga. Era quase impossível marcar gol.

Mas aí, na semifinal daquela Copa, os italianos teriam uma grande pedra no sapato. Era a Argentina, de Maradona, Burruchaga e companhia. Antes daquele confronto, os argentinos haviam passado de fase nos penaltis, contra a Iugoslávia. Os hermanos pegariam, agora, uma seleção invicta naquela edição de Copa. Vale ressaltar que os argentinos haviam se classificado já nas últimas, no terceiro lugar, com três pontos.

No estádio de Nápoles, Argentina e Itália se enfrentariam para saber quem chegaria à grande final. Os italianos acreditavam na vitória, já os argentinos achavam que a Copa poderia ser generosa e fazer com que eles, mesmo tendo todos os seus jogos anteriores difíceis, poderiam se classificar para à final.

No campo, o jogo era truncado. As duas seleções queriam vencer. E daí os italianos partiram para cima, querendo o gol. E conseguiram! Aos 17 minutos do primeiro tempo, o artilheiro Schillaci marcou para o time da casa. Aquele gol ficou no placar por muito tempo. Tanto Argentina quanto Itália queriam vencer aquele jogo. O primeiro tempo foi encerrado, e até aquele instante Walter Zenga não havia tomado gol. Parecia que a final estava próxima e a Itália poderia chegar ao último jogo sem tomar um gol sequer. Mas em confrontos difíceis, é necessário que se haja bastante concentração. Na etapa final daquela semi, os argentinos foram também para cima.

O jogo apertado e muito bonito de se ver consegui ser ainda mais tenso para ambos. Isto por que aos 23 minutos do segundo tempo, Caniggia havia feito o gol de empate. Os argentinos, ao verem aquele gol, acreditaram ainda mais que tudo podia dar certo para eles. Já os italianos, viram como enorme tristeza. E para Walter Zenga, aquilo foi desgostoso. Vale ressaltar que o gol de Caniggia se deu em uma grande falha do arqueiro italiano, que saiu para tirar a bola da área e não conseguiu calcular o percurso da “pelota”, que por sua falha, foi parar dentro do gol.

A partida terminou empatada, tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. Nas penalidades, os argentinos se consagraram e passaram de fase, enfrentando a Alemanha na final.

Encerrava-se, assim, um feito histórico para os italianos, pois acreditavam que poderiam ser campeões, dentro de casa e sem tomar nenhum gol.

E apesar da derrota, Walter Zenga bateu um recorde incrível naquele ano. Foram 517 minutos sem levar gols, um feito histórico que nenhum goleiro conseguiu até agora. Veja a lista dos goleiros com mais minutos seguidos sem levar gols em Copas

 

1º – Walter Zenga – Itália (1990) – 517 minutos
2º – Peter Shilton – Inglaterra (1982 e 1986) – 502 minutos
3º – Sergio Romero – Argentina (2014) – 485 minutos
4º – Seep Maier – Alemanha (1974 e 1978) – 475 minutos
5º – Gianluigi Buffon Itália (2006) – 460 minutos
6º – Leão – Brasil (1978) – 458 minutos
7º – Gordon Banks – Inglaterra (1966) – 442 minutos
8º – Oliver Kahn – Alemanha (2002) – 427 minutos
9º – Carlos – Brasil (1986) – 401 minutos

 

Faltam 7 dias para a Copa da Rússia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *