#5: Coreia do Sul e a zebra que foi odiada

Os coreanos passaram com erros de arbitragem a favor

Quando se é o dono da casa, poucas seleções conseguem fazer bonito diante da sua torcida em mundiais.

Ao longo das histórias dos mundiais, apenas seis seleções mandantes foram campeãs em 20 edições disputadas, o que representa menos de 1/3. Em 2010, a África do Sul foi eliminada na primeira fase e o Brasil sofreu o fatídico 7 a 1 para a Alemanha. França e Inglaterra conquistaram seus únicos títulos mundiais jogando em casa.

Quando se fala em zebra no futebol, na maioria das vezes lembramos de times carismáticos, lutadores, que marcaram seu nome na história do futebol por chegar até onde ninguém imaginava que pudessem chegar. Dificilmente torcemos contra.

Em 2002, quando o Brasil conquistou seu penta, outra história paralela era contada. Com duas sedes, Japão e Coreia do Sul, a Copa se desenrolava cheia de boas histórias. Os dois anfitriões avançaram de fase. A Coreia passou às oitavas de final liderando o seu grupo, com sete pontos, e vencendo Portugal de Figo, por 1 a 0.

O primeiro dos erros da arbitragem veio nas oitavas de final, quando Itália e Coreia do Sul se enfrentaram. O jogo foi emocionante e bem disputado. Vieri abriu o marcador para os italianos no primeiro tempo e, quando tudo caminhava para uma eliminação sul-coreana, Seol empatou aos 43 da segunda etapa.

Na prorrogação, o equatoriano Byron Moreno expulsou Totti por simulação, em um lance que dava muito bem para ser interpretado como pênalti, e anulou gol de Tommasi, aparentemente na mesma linha.

Mais erros

Na fase seguinte, contra a Espanha, o egípcio Gamal Ghandour conseguiu ver uma falta mais do que inexistente no lance em que a Espanha faria 1×0, ainda no tempo normal. Na prorrogação, um escândalo ainda maior: a arbitragem anulou o gol de Morientes que levaria a Espanha às semifinais por entender que a bola cruzada ao atacante havia passado por além da linha de fundo.

E teve mais. Durante a partida, os espanhóis ficaram irritados com o excesso de impedimentos marcados. Nos pênaltis, o goleiro Lee Woon-jae adiantou-se dois passos para defender a cobrança de Joaquín, irregularidade naturalmente ignorada pela arbitragem.

O mundo se voltou contra a Coreia do Sul. O time que poderia ser aquela zebra tão aceita por todos – como Camarões em 1990 e o Senegal no próprio mundial de 2002 – tornou-se o inimigo a ser batido. Na rodada seguinte, a trajetória dos sul-coreanos foi encerrada pela Alemanha, que se classificou para enfrentar o Brasil na grande decisão.

 

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