As incoerências de Tite: a análise da primeira convocação pós-Copa

Com novidades e figuras repetidas, o técnico começará um novo ciclo

O Brasil vinha de inúmeros insucessos incluindo o fatídico 7 a 1, em casa, para a Alemanha. Depois da saída de Felipão, Dunga voltou ao comando da Seleção Brasileira e quase deixou o país fora da sua primeira Copa do Mundo.

Com méritos, após ganhar tudo com o Corinthians, Tite assumiu o cargo e trouxe a alegria do povo brasileiro em acompanhar a ‘amarelinha’.

Futebol envolvente, elogios dos melhores treinadores do mundo, respeito das outras seleções e a confiança nos rostos de quem acreditava no hexa. Sem demonstrar o mesmo futebol, por várias circunstâncias, o Brasil foi derrotado pela Bélgica por 2 a 1 e saiu da Copa do Mundo da Rússia.

Mesmo com a eliminação, a permanência de Tite por parte de todos deveria ser o primeiro passo do novo ciclo. Dessa vez, com menos regalias e mais críticas ao seu trabalho, em vez da blindagem exacerbada que culminou com derrota diante dos belgas.

Logo em sua primeira convocação algumas incoerências foram demonstradas por ele e seu Staff. Durante o Mundial, o atacante Gabriel Jesus foi muito criticado pela falta de gols e por seu desempenho ofensivo, mas o técnico e sua comissão sempre saiam em defesa do pupilo com números exagerados.

Talvez, a defesa era para justificar a titularidade mesmo com o desempenho bem abaixo e com seu reserva, Firmino, em melhor momento. A não-convocação do garoto mostra a insatisfação com o seu desempenho e uma incoerência de Tite quando o defendia.

No gol, Alisson foi mantido, Éderson, por problemas pessoais, e Cássio não foram chamados. Para seus lugares, Neto, que quase foi a Copa e vem muito bem no Valência, e Hugo, cria do Flamengo, foram convocados. O último gera uma polêmica: qual a necessidade? Segundo Edu Gaspar, o objetivo é colocar um garoto sub-20 na vivência da Seleção. Na Copa, no lugar do Taison, não poderia ter sido um desses jogadores? Fica o questionamento.

Na lateral-direita, para a surpresa de muitos, Fágner foi mantido. No Mundial, o seu desempenho foi mediano, mas a sua volta ao Corinthians nem tanto. Danilo, do City, segue em baixa física e técnica. Para o seu lugar, o VOLANTE Fabinho foi chamado. Nas últimas temporadas no Mônaco e no começo de Liverpool, o polivalente vem atuando na primeira faixa do meio-campo e não como lateral, mas com a carência na posição, Tite e sua comissão tratam como um trunfo.

No lado esquerdo,  dois que brigaram pela condição de reserva de Marcelo. Filipe Luís e Alex Sandro foram chamados enquanto o ídolo do Real Madrid melhora sua condição física.

Na zaga, a dupla Marquinhos e Thiago Silva, do PSG, foi mantida. Miranda e Pedro Geromel dificilmente estarão em outra Copa do Mundo por causa das idades avançadas. Na lista de espera de Tite para a competição desse ano, Dedé confirmou seu ótimo momento no Cruzeiro e foi convocado. Além dele, Felipe, em grande fase no Porto, foi chamado para completar o quarteto.

No meio-campo até o ataque existiam inúmeras expectativas. Com vários jogadores de ótimo nível e inúmeras promessas aparecendo, esperava-se uma mudança maior. Com Renato Augusto, Fred, Casemiro, Coutinho e William como remanescentes, a estrutura tática foi mantida e grande parte das opções também. A maior crítica fica por conta do retorno de Renato Augusto. O meia foi bem diante da Bélgica,mas vem caindo de produção no último ano e não deve completar o ciclo com a Seleção.

Por outro lado, Andreas Pereira, Arthur e Lucas Paquetá completam a linha de meio-campistas. Os dois últimos eram figuras carimbadas para estarem na convocação, inclusive devem ser pilares da geração que se inicia. O ex-volante do Grêmio, atualmente no Barcelona, gera uma grande expectativa e por pouco não foi a última copa. O meia do Flamengo é bem visto por sua polivalência. Em grande fase como segundo homem de meio-campo, Paquetá já atuou como lateral, volante e até centroavante.

O caso de Andreas Pereira é diferente. Após se destacar no Mundial Sub- 20 em 2015, quando o Brasil perdeu para Sérvia na final, o meia foi sondado para defender a seleção belga. O jogador é filho de brasileiros, mas nasceu na cidade de Duffel, na Bélgica, já que na época seu pai, Marcos Pereira, atuava pelo Mechelen. A sua convocação é no momento mais “forte” da briga entre Bélgica e Brasil pelo jogador. Ainda em fase de evolução após retornar de seu empréstimo do futebol espanhol, o meia começou a temporada como titular do Manchester United.

Ele pode atuar como primeiro ou segundo homem de meio-campo, setor mais carente da equipe de Tite.

No ataque, algumas surpresas positivas e outras negativas. Richarlison fez uma boa temporada com a camisa do Wartford. Após isso, foi a contratação mais cara da história do Everton e já estreou na Premier League fazendo dois gols. A sua convocação já era dada como certa, mas Tite abdicou do seu futebol para levar Éverton Cebola, do Grêmio, e Pedro, do Fluminense. O primeiro vem sendo observado e elogiado por Tite desde antes da Copa na Rússia. O objetivo era analisar o Luan, mas foi o atacante cearense que chamou a sua atenção. A sua característica de drible fácil e velocidade para quebrar as linhas adversárias foram os principais motivos da convocação.

No caso de Pedro, o chamado é pela necessidade de um ‘camisa 9’ de ofício que Tite tanto procurava. Mesmo em um time limitado como o Fluminense, o jovem é o artilheiro do Campeonato Brasileiro e demonstra várias qualidades além do faro de gols.

Ainda é início de trabalho, são mais de quatro anos até o Mundial do Qatar, mas a blindagem ao trabalho do Tite acabou, entretanto a confiança de um ciclo melhor é grande.

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