São Paulo e a luta pelo heptacampeonato brasileiro

Por Ronaldo Carvalho

O São Paulo é líder do Campeonato Brasileiro com 42 pontos em 20 rodadas. Até bem pouco tempo atrás, o tricolor paulista contava os cacos e batia cabeça a cada contratação e a maior pecha que o time levava era de não ter brios, não ter raça. Pois bem, Diego Aguirre chegou e trouxe consigo a famosa e propagada raça uruguaia. Não posso esquecer também da comissão técnica formada por Raí, Ricardo Rocha e Lugano, este último indicou para o crivo dos seus colegas de diretoria, o seu compatriota, o técnico.

A mudança de patamar do time paulista, se é que podemos falar nisso ainda, advém de uma formula muito conhecida no Morumbi: o futebol pragmático. Muricy Ramalho com esta mesma formula, porém com esquema tático diferente foi tricampeão brasileiro (06-07-08). Aguirre tem o mérito de formar uma boa defesa com jogadores medianos, ter uma dupla de volantes regular, um meia talentoso, pontas rápidos que sabem recompor e um centro avante forte e inteligente. Pela descrição, infere-se que o esquema tático é o famoso 4-2-3-1. Além de atingir a liderança, o clube conseguiu vender um jovem lateral direito que outrora era volante sem muitas chances e que emergiu seu futebol na atual temporada por 4 milhões de euros, um bom alívio para as finanças do clube.

No aspecto confiança, Aguirre dá chance a todos, rodando o grupo em virtude dos torneios que o time disputa. Eliminado da copa do brasil e sul-americana, é verdade, mas não sucumbiu perante a sua convicção. O time comprou a ideia do treinador de ser um time formiguinha, porém letal em seus contra-ataques. Do quarteto, Diego Souza e Nenê entram com a criatividade, Rojas e Everton com a rapidez. Esta combinação traz um número reduzido de finalizações, porém uma efetividade no objetivo final: o gol.

São Paulo terminou o primeiro turno do brasileiro como líder depois de 11 anos (Foto: Marcelo Manera/AFP)

Na boca pequena, a zaga do tricolor melhorou muito, mas será que saída de Rodrigo Caio por lesão tem algo a ver com isso?

Debaixo das traves, Sidão e Jean são os mais cotados, mas na minha humilde opinião e premonição, lucas perri é mais goleiro que os dois juntos.

Pra não dizer só falei de flores, o “soberano” joga num esquema bastante conhecido no mundo inteiro e de fácil variação, mas as peças que o tricolor possui são medianas, ou seja, não tem a criatividade necessária para ter repertório ofensivo mais apurado. O esquema depende demais da jogada individual dos pontas, dos passes conclusivos do meia, da extrema efetividade do centroavante e da aproximação dos laterais fazendo ultrapassagens na linha de fundo.

O São Paulo não passou pelo Colón-ARG na Sul-americana por que encontrou um time fechadinho, jogando pelo empate, logo faltou a criatividade para romper as linhas defensivas delineadas no 5-4-1 do time argentino.

Por fim, não acredito em título, mas gosto do pragmatismo do time do Aguirre. Agora, será que ele tem mais repertório tendo sob sua batuta um time mais talentoso?

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