A história do maior clássico do mundo: Boca Juniors x River Plate

O duelo é tão grandioso que é mais conhecido como superclássico

Boca Juniors e River Plate começam a decidir no próximo sábado(10) o título da Copa Libertadores 2018. Rivais em tudo e desde sempre, os clubes tem histórias distintas, mas que partiu do mesmo ponto: o bairro de La Boca.

A origem

Boca e River no enigmático e sofrido bairro de La Boca. Reduto da arte portenha e cheia de história, foi de lá que saíram os dois maiores clubes da Argentina. O primeiro a surgir foi o River Plate, em 1901, mas apenas três anos depois, em 1904, o clube passou a ser conhecido pelo nome que carrega até hoje. Um ano depois, cinco jovens se juntaram em um banco do bairro e resolveram criar o Boca Juniors, que já nascia como contraponto ao outro clube do bairro.

Apesar de estarem no mesmo bairro os clubes só se enfrentaram pela primeira vez em 1908. Esse primeiro confronto foi vencido pelo Boca, o clube xeneize ganhou a partida por 2 a 1. Não convencidos com a derrota, o River Plate convidou o rival para uma partida, dessa vez, estaria em jogo um prêmio para o vencedor. O valor do duelo era de 11 libras esterlinas. Dessa vez, o time platense venceu o jogo e levou o dinheiro para casa. Como o valor era alto, para os padrões da época, o River recebeu o apelido de Millionarios, alcunha que carrega até os dias de hoje e que serve para marcar sua torcida.

Os confrontos

A primeira partida oficial entre os clubes só se deu em 1913 e novamente com uma vitória do River por 2 a 1. Em 1928 aconteceu a maior goleada do confronto, o Boca Juniors aplicou um 6 a 0 sobre o River que até hoje é celebrada pelos lados da Bombonera. A curiosidade desse jogo é que os Millionarios terminaram o jogo com apenas 9 jogadores, depois de um choque de cabeça entre dois jogadores e o time não podia mais fazer mudanças dentro do jogo.

Os duelos foram acontecendo seguidamente e cada vez aumentando a rivalidade entre os rivais. Essa rivalidade se aflorou em 1931, quando em um superclássico o árbitro da partida expulsou 3 jogadores do River, que se negaram a sair de campo, com isso, o árbitro terminou a partida antes do tempo e o Boca ficou com a vitória.

Angel Labruna, o maior goleador do superclássico. (Foto: Taringa)

Na década de 1940 o River Plate montou uma verdadeira máquina, com destaque para os cinco atacantes do time, um deles era Ángel Labruna, que além de ser o maior goleador oficial do confronto com 22 gols, ainda é o responsável pelo apelido de bostero, do Boca. Reza a lenda que nos anos 1940, a cancha do Boca sofria com um forte odor de esgoto, e isso motivou Labruna, que sempre entrava em campo tampando o nariz para irritar a torcida boquense. Nesse período a torcida do Boca não aceitava a brincadeira, algo que com o passar do tempo foi incorporado pela torcida e hoje é celebrada em cânticos.

Em 1970, os clubes disputaram a Libertadores e ficaram no mesmo grupo. Além deles, o Universitário completava a chave, apenas um se classificava, e foi o River Plate. Eliminar o rival da competição era algo que o River já havia conseguido em 1966.

Apesar de toda a rivalidade, os clubes só disputaram uma única final de campeonato nacional. Em 1976, os clubes se decidiram o campeonato argentino daquele ano no El Cilindro de Avellaneda, estádio do Racing Club. O Boca venceu por 1 a 0 e levou o troféu para casa.

Dois anos mais tarde, em 1978, o Boca daria o troco no rival na Copa Libertadores e o eliminava na semifinal da competição. De quebra, os bosteros levantaram a segunda taça naquele ano.

A primeira conquista continental do River só veio em 1986, logo após o título, o time de Nuñez visitou o rival em seu estádio e lá daria a volta olímpica. Aquele jogou também entrou para a história com um fato curioso. A partida foi disputada com uma bola laranja e vencida pelo River, por 1 a 0 com um gol de Beto Alonso.

Craques do Superclássico

Um clássico grande como Boca e River sempre foi recheado de grandes jogadores. Vários  jogadores de diversas nacionalidades já brilharam nos duelos entre os rivais. Francescoli, Maradona, Gallardo, Caniggia, Batistuta, Riquelme, Aimar, Palermo, Salas, Schelotto, Crespo e Tevez são apenas alguns nomes que marcaram época nos confrontos. Foi exatamente em um superclássico que aconteceu ‘El major cambio de la história’, quando Maradona, em sua última partida oficial pelo Boca Juniors, deu lugar na partida ao jovem Riquelme, que entrou no jogo e ajudou o time a vencer o jogo por 2 a 1.

El cambio de la história

Riquelme sempre teve destaque nos jogos contra o rival, fosse pelo torneio nacional ou pelas copas, el torero geralmente saia de campo vencedor. O eterno camisa 10 boquense guarda com carinho especial as semifinais da Copa Libertadores em 2000, onde foi decisivo nos dois jogos, marcando gol nas duas partidas e dando assistências. Na final, o Boca venceu o Palmeiras e levou para casa sua terceira Copa.

La B e La Glória

O descendo do River para a segunda divisão do campeonato argentino marcou um momento único na história do clube. Com o rebaixamento o clube deixou de enfrentar o seu maior rival e serviu de chacota pelos outros clubes. Porém, o clube voltou à elite e com mais força e união do que antes.

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Em 2014 o clube tinha a chance de redimir um pouco com sua torcida ao enfrentar o rival nas semifinais da Copa Sulamericana, e assim foi. Venceu o confronto e de quebra levou o título para o Monumental. No ano seguinte veio então a maior glória. Novamente um confronto contra o Boca, porém, dessa vez pela Copa Libertadores.

Na partida de ida, Carlos Sanchez anotou o gol da vitória para o River. Na partida em La Bombonera, o River mantinha a vantagem, quando na volta para o segundo tempo, um torcedor boquense atacou so jogadores do rival com gás de pimenta. Os jogadores do River ficaram sem condições de reiniciar a partida e o jogo foi cancelado. Nos dias seguintes a Conmebol resolveu excluir o Boca da competição que viu seu rival seguir e levantar o seu terceiro troféu do campeonato.

Boca e River, River e Boca, dois clubes que nasceram para ser grandes, e que não conseguem viver uma sem a outra. Dois dos maiores clubes do mundo que tem a honra de serem rivais.

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