Rogério Ceni e a transformação no Fortaleza

Muitos anos de sofrimento na infernal série C. Foram oito anos tentando subir e sem muitos êxitos. Em algumas vezes, tirando os fatídicos anos de 2010 e de 2011, do jogo polêmico contra o CRB, o Fortaleza disputava a competição nacional e sempre chegava como um dos primeiros na fase de grupos. Nos mata-matas, interrompia todo o trabalho devido eliminações trágicas e de muito sofrimento. Até que Antônio Carlos Zago foi contratado e fez o Tricolor do Pici novamente chegar à Série B.

Como todo time que sobe de divisão, o Fortaleza tinha o dever de permanecer na mesma, já que chegara como uma equipe que viera de uma série inferior à segunda divisão. Muitos falavam que a sua obrigação era a permanência. Ao final da terceirona, Zago já admitia que não seria mais técnico do Leão. Teria, assim, que procurar outro treinador no mercado. Mas quem?

O Ceará, seu principal rival, subiu para a Série A no mesmo ano em que o Fortaleza havia subido para a B. No mercado, havia Rogério Ceni, que se auto-demitiu para não manchar a sua carreira no clube onde era o maior ídolo de todos. Para muitos, poderia ser um tiro no pé, pois como seriam as expectativas para um técnico tão novo no mercado e que não soube aproveitar bem o time do São Paulo naquele exato momento? Marcelo Paz, presidente do clube cearense, não se abateu. Investiu em Ceni e o deixou a vontade para trabalhar no clube.

Ceará e Fortaleza não se enfrentaram no Brasileirão 2018. Restou-lhes somente o campeonato estadual, sendo este que teve como vencedor os alvinegros. Mas um estadual não iria denegrir todo o trabalho que Rogério estava querendo implantar. Não era somente um 4-4-2 ou 4-2-3-1 que estaria em jogo. Era mais do que isso. Ceni queria algo mais. Queria fazer com que o Fortaleza pudesse crescer ainda mais. E se possível, nacionalmente.

O ano de 2018 já começara com mudanças, tanto para Fortaleza quanto para o novo técnico tricolor. O Leão voltava de uma série B após anos de sacrifício e Ceni caía um degrau para mostrar seu trabalho. Mas esse degrau abaixo, entretanto, teve um final melhor.

Fortaleza e Rogério Ceni viraram um só. De rodada em rodada, o Leão conquistava pontos importantes. Com boas atuações do time, especialmente para o artilheiro nacional, o centroavante Gustavo, que havia chegado por empréstimo, deixou o Fortaleza sonhar ainda mais. Os pontos foram crescendo e o Fortaleza se distanciava da zona de rebaixamento e da zona intermediária.

Parecia que Rogério não queria só ficar mais um ano na série B. Nem ele e nem Fortaleza. A ambição foi maior. O time ajudou, a torcida ajudou, e no final, a festa foi grande. Fortaleza campeão nacional da série B.

Com o belo trabalho, o técnico, aos poucos, ganhava o carisma da torcida. É evidente que, em muitos jogos, o torcedor quebrava a cabeça com escalações que, para ele, não tinha coerência. Mas para o técnico profissional, sim. Era preciso calma e deixar que o comandante trabalhasse.

A torcida deixou. Esperou. Vibrou. O Fortaleza subiu e foi disputar a série A do ano seguinte. E neste ano, 2019, Rogério mostrou mais uma vez que é capaz. O ex-goleiro são-paulino está fazendo história no comando técnico de outro time tricolor, o Fortaleza. A paixão vai aumentando cada dia mais, junto com os títulos e ambições que tanto Rogério quanto Fortaleza querem.

Conquistou um título cearense, mais um para entrar no seu currículo e na história do clube.

Uma Copa do Nordeste inédita, no dia 29 de maio de 2019 será histórica, tanto para Fortaleza quanto para Rogério Ceni. Ganhar o status como campeão da série B, do Nordeste e de uma das torcidas mais fanáticas do Brasil é incomparável. Resta agora a série A e a Copa do Nordeste.

O que Rogério e Fortaleza vão querer ainda mais? O que os dois pretendem conquistar ainda juntos? Uma coisa é certa: Rogério Ceni transformou o Fortaleza e o deixou ainda mais vaidoso.

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