República Tcheca e o azar de Copas

Em pé: Koller, Jankoloviski, Rozehnal,Ujfalusi e Cech
Agachados: Poborsky, Grygera, Galasek,Nedved, Baros e Rosicky

A República Tcheca, no começo da década de 2000 demonstrou ser uma seleção promissora, que tinha como seu principal jogar Pavel Nedved. O ex-jogador da Juventus demonstrava, ainda no começo de carreira, ser um atleta diferenciado e habilidoso. Precisão no chute e no passe, era uma das principais características do meia. As armas do time era chute de meia e longa distância e os cruzamentos para os atacantes, principalmente Jan Koller. Talvez, se os tchecos tivessem um pouco mais de sorte, poderiam ter feito o que a Croácia de Modric fez na Copa do Mundo de 2018. Relembre um pouco das trajetórias da ex-Tchecoslováquia no início dos anos 2000.

EUROCOPA 2000

A República Tcheca, na Euro 2000 tinha Nedved, Rosicky e Smicer como principais destaques para garantir a competição daquele ano. No grupo D, ao lado de Holanda, França e Dinamarca, os mesmos tiveram uma difícil tarefa de se classificar, pois França, atual campeã da Copa do Mundo de 1998 vinha ainda mais forte, e a Holanda, outra favorita, tinham estrelas importantes como Kluivert, Zenden, Seedorf e Bergkamp. Infelizmente, holandeses e franceses acabaram os vencendo e, assim, passando para a próxima fase. Mesmo com a vitória no último jogo contra a Dinamarca por 2 a 0, com dois gols de Smicer, não deram a classificação para a República Tcheca naquela Euro. Eliminados e não classificados para a Copa do Mundo de 2002, restavam-lhes agora a Euro 2004

 

O primeiro azar

Na competição seguinte da UEFA, os tchecos vieram ainda mais fortes. Ao ser sorteada, pegou um grupo tão complicado quanto da Euro passada. Novamente, a Holanda como adversária, seguida de uma Alemanha ainda magoada com o vice no mundial e uma Letônia que estava só de passagem. Agora com Cech no gol, Baros, Nedved, Koller, Rosicky e Jiranek, a seleção tcheca parecia deslanchar na Euro. Contra a Letônia, conquistou os três primeiros pontos vencendo-a por 2 a 1 e garantindo, por enquanto, o primeiro lugar no grupo, já que alemães e holandeses empataram a partida. No segundo confronto, mais uma vitória, agora contra a Holanda. Um jogo difícil, 3 a 2 o placar, mas conquistada com gols de Koller, Baros e Smicer. Veja os melhores momentos:

Ao todo, seis pontos e uma já  classificação para a próxima fase, já que a Alemanha novamente havia empatado contra a Letônica. Na última partida, mais uma vitória do time do técnico Karel Bruckner. Assim, a seleção passou para a próxima fase, junto com Holanda, deixando Alemanha e Letônia para trás.

Como a segunda equipe do grupo C era  a Dinamarca, os tchecos o enfrentariam nas quartas de final. Os dinamarqueses, ao contrário dos tchecos, pegou um grupo C bastante equilibrado.

Tão equilibrado que, ao final da rodada, o primeiro, o segundo e o terceiro colocado, juntos, permaneceram com cinco pontos ao todo. Desta forma, com alguns critérios, a Dinamarca se classificava e eliminava a Itália da Euro daquele ano. No confronto entre a República Tcheca, os dinamarqueses não conseguiram sequer fazer um gol. O time de Jorgensen, Gronkjaer e companhia não foram pareis para a seleção de Nedved. Final do jogo, 3 a 0, com direito a show de Baros que havia feito dois gols.

Contudo, ao passar de fase, a República Tcheca teve a difícil missão de pegar a Grécia. Vale ressaltar que o futebol dos gregos não era tão vistoso dentro de campo. Não tinham jogadores que desencantavam e faziam algo bonito. Era taticamente uma boa seleção. O jogo foi duro, tanto que no tempo regulamentar, as duas equipes não conseguiram sair do zero a zero.

Na prorrogação, a Grécia acabou marcando, com gol de Dellas. Os tchecos, mais uma vez, estavam eliminados da competição da UEFA. Com uma atuação brilhante na fase de grupos, os tchecos acabaram dando a Deus à uma seleção que teoricamente era inferior a eles. Infelizmente, acabaram tendo seu primeiro torneio de azar, pois a Grécia, ao passar, fora a campeã da edição.

Talvez, se Portugal e República Tcheca se enfrentassem na final, os tchecos provavelmente, teriam vantagem de serem campeões.

O segundo azar e o fim do glorioso time tcheco

O segundo azar acabou acontecendo dois anos depois do episódio contra a Grécia. Na Copa do Mundo 2006, Cech e companhia já chegava ainda mais experientes. Chegava num torneio ainda mais caliçada e demonstrando um futebol bonito. Não era aquela seleção maravilhosa como o Brasil, Argentina ou Espanha, mas tinha suas qualidades. Nedved, capitão e destaque da seleção, já estava experiente. Mesmo com a idade, o camisa 11 era diferenciado.

No jogo de abertura do grupo, República Tcheca e Estados Unidos se enfrentavam em busca da classificação para as oitavas de finais. Ainda levando vantagem, a ex-Tchecoslováquia venceu os americanos por 3 a 0, dando a impressão de que o favoritismo para a classificação estava nos moldes. Muitos amantes de futebol torceram por aquela seleção. Como dito, não era uma equipe fantástica, mas por terem atletas conhecidos, era notório que a torcida por eles prevalecia.

Contra Gana, a primeira angústia de que a eliminação poderia chegar também começou a nasceu. Em Colônia, os ganeses venceram os tchecos pelo placar de 2 a 0 e a Itália empatou com os Estados Unidos, em Kaiserslautern por 1 a 1. Empatados com o mesmo número de pontos, Gana e República Tcheca decidiriam quem se classificaria para a próxima fase. Os ganeses, acabaram levando a melhor. Enfrentou os Estados Unidos e garantiu a classificação os vencendo por 2 a 1.

A Itália, em Hamburgo, garantiu a classificação após a vitória sobre o time de Nedved por 2 a 0, e assim, eliminava a República Tcheca e o sonho de chegar ainda mais longe na Copa do Mundo.

Mais uma vez, se outra seleção estivesse no caminho dos tchecos e não a seleção italiana – que foi campeã daquele torneio -, talvez pudessem chegar ainda mais longe. Encarariam, se chegassem em primeiro lugar, uma Austrália nas oitavas e uma Ucrânia, de Shevchenko, nas quartas. A única desvantagem seria a Alemanha, nas semifinais.

Se segundo, enfrentaria o Brasil nas oitavas e, teoricamente poderiam ser eliminados pelos brasileiros, já que tinha um elenco melhor.

O que tudo isso mostra é que após a última Copa do Mundo disputada e a aposentadoria de Nedved na seleção, a República Tcheca jamais foi a mesma. Nas Copas do Mundo de 2006, 2010, 2014 e 2018, sequer esteve lá. E nas Eurocopas seguintes estava sempre lá, mas dando vexames.

O elenco de 2004 e  2006, foi sim, um bom time. Nedved, Cech, Rosicky e outras feras conseguiram fazer história em sua seleção e no futebol mundial. A República Tcheca pode não ter ganho nada, mas conquistou o carinho de muitos admirados de futebol que ainda se entusiasmam com a nostalgia do futebol.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *